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:: DISPLASIA COXOFEMORAL ::

Escrito por Richard Filgueiras e Maria Esther Odenthal - Médicos Veterinários. Ao final do texto há legendas dos graus de displasia.

A displasia coxofemoral é caracterizada pelo mau encaixe da cabeça do fêmur no acetábulo, ou seja a articulação do quadril. Este problema não afeta apenas os cães mas também diversas outras espécies e até o homem.

Infelizmente no Brasil o diagnóstico para displasia em cães de reprodução não é obrigatório por parte dos clubes cinófilos e por isso a incidência da doença nas raças propensas a este mal é grande. Para se ter uma idéia, em um estudo realizado em Belo Horizonte - Minas Gerais, de 300 cães radiografados 60% apresentaram o problema não sendo aptos à reprodução.

Na Alemanha, país com elevado número de registro de Bernese, o índice da doença por ano é de 15 a 17%. Lá o controle é feito há mais de 10 anos, sendo obrigatório para o registro da ninhada.

A displasia é multi-fatorial, ou seja, pode ter diversas causas, inclusive ambientais, pois cães pesados que vivem em piso liso e escorregadio por muito tempo podem desenvolver a doença. A herança genética se caracteriza por um gen recessivo, ou seja, a doença pode não estar expressa no animal, mas o mesmo carrega o gen sendo possível transmiti-la aos seus descendentes. Na Europa onde alguns canis usam pedigrees livres para displasia (pais, avós e bisavós sendo HD (-) ou isentos) pode ocorrer o nascimento de ninhadas com 5 cães HD (-), 1 cão (+) e 1 cão HD (+++).

Então porquê radiografar os animais se mesmo com o pedigree inteiro livre de displasia nascem filhotes com o problema? Provavelmente a situação poderia ser inversa, com 5 cães HD (+++), 1 cão HD (+) e apenas um cão HD (-) o que seria muito pior. Por isso o controle deve ser realizado para tentarmos diminuir a incidência deste mal.

Por causa do alto índice de displasia no Brasil, diversas revistas especializadas e Web Sites de cães começaram corretamente a fazer campanha a favor do diagnóstico para displasia e a conseqüente retirada dos cães com elevado grau de displasia da reprodução. O exame deve ser realizado aos 18 meses de idade, apesar do Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária recomendar a idade de 24 meses. Canis onde é feito o controle da doença passaram a divulgar "Controle de Displasia", mas não podemos esquecer jamais que o Controle de Displasia não isenta alguns filhotes da ninhada a terem o problema que só será detectado quando ele tiver 18 meses (ou menos nos casos de displasia precoce).

                                                                                           >> Continua
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