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Festa dos 100 anos do
Clube Suíço do Boiadeiro Bernês
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Melhor
Macho |

Melhor
Fêmea
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Realmente,
participar de um evento como esse foi um previlégio. O
próximo só daqui a 100 anos, e acho que nesse não devo
ir (rs..). Para muitos foi considerado o maior e mais
importante evento mundial da nossa querida raça em todos
os tempos.
Foram 3
dias de pura aula sobre a raça. Mais de 1000 berneses e
criadores de todos os cantos do mundo. Um show de
confraternização, entretenimento e uma disputa
lindíssima regida com muita cordialidade. A atmosfera
que conduzia o evento era a singular paz e alegria que a
raça desperta nos seus apaixonados.
É incrível
constatar que cada bernese, não importa o quanto longe
ele viva, interage e convive do mesmo jeitinho que
todos. Isso só reforça o famoso ditado “Amar e conhecer
um bernese é amar e conhecer a todos”. Mais uma vez
senti claramente que é esse o espírito que move as
regras dos clubes, buscando seriamente manter as
características de uma raça, que podem facilmente ser
dissolvidas com cruzamentos e atitudes não planejadas.
No
primeiro dia aconteceu um simpósio onde vários temas
foram discutidos. Porém, o foco e o tema principal foi a
longevidade da nossa raça. Com o apoio e suporte
financeiro de vários clubes europeus, uma séria pesquisa
vem sendo realizada analisando as causas da morte
precoce nos berneses em geral. Com muita seriedade e em
caráter técnico o assunto foi longamente debatido.
A
seriedade chega ao ponto de o clube alemão obrigar que
pelo menos 10 cães do pedigree (são 14 no total) tenham
conhecida e oficializada a causa da morte e seus
detalhes. Com esses dados cabe ao clube a decisão de
interferir e recusar algum acasalamento que venha a
colocar em risco o objetivo de aumentar a longevidade.
Caso algum animal seja importado para a Alemanha e o
país de origem não conheça e controle a causa da morte
dos ancestrais, um comitê analisa e decide pelo
resultado. Tudo pela saúde das próximas gerações.
Infelizmente, conforme já sabemos, a histiocitose (um
tipo de câncer) é uma das principais doenças que vem
sendo pesquisadas. Ela tem atingido a nossa raça de
maneira muito preocupante. Segundo divulgado no
simpósio, 1 em cada 5 berneses já apresenta esse
problema. Foi incrível ver de perto a união e
pró-atividade de clubes e criadores em busca de ajudar
nesse processo tão importante.
No segundo
dia começaram os julgamentos. Os acampamentos eram
organizadíssimos, bugigangas e quinquilharias de bernese
sendo vendidas por todos os lados, um clima de
confraternização entre os países ali representados, e
muitos, muuuuuitos berneses.
Além dos
cães competidores, vários proprietários foram prestigiar
a festa com seus berneses ao lado. Todos orgulhosos por
desfilarem pelo evento com suas preciosidades. Campeões
ou não, sabiam que ream perte importante daquela data
histórica.
No
julgamento os quase 1000 berneses, machos, fêmeas,
adultos, jovens, filhotes e masters (..os velhinhos..)
disputando entre si. Eram selecionados 4 cães por
entrada em pista, para então acontecer as finais por
classe. Os julgamentos eram feitos por 6 juízes e em voz
alta. Um verdadeiro show de conhecimento. Uma aula sem
preço.
Foi
realmente emocionante ver e rever de perto cada cão e
linhagem que compõe nosso plantel no Brasil. Cães
famosos de linhagens disponíveis por aqui como: Hausmat,
Vom Veit, Hautes Vernades, Stockerjbos, Alten Holz,
Moinhos da Alvura, Ruschbode, Orsi di Berna, Roches de
Metthey, Tonisbach, Russeau Ensoleielle, Octobers,
Alpentraus e outros faziam a festa ainda mais bonita.
No sábado
à noite, ofereceram um lindo jantar reservado a
convidados e representantes dos clubes presentes. Como
presidente do CPBB eu estava lá, nitidamente nervoso por
dividir a mesa com personalidades tão expressivas do
cenário bernesiano mundial. Mas foi uma excelente chance
de divulgar a seriedade com que buscamos fazer o nosso
trabalho. Mostrar que o Brasil, tão longe dali, existem
criadores muito preocupados com o destino da raça.
No
decorrer do jantar aconteceu uma surpresa. Me chamaram
para dar meu depoimento. Lá na frente e para todos os
presentes. Na hora aquilo bateu como um soco na barriga.
Eu tinha que caminhar alguns metros para então chegar ao
microfone. Era o tempo de tentar pensar em algo para
dizer. Um discurso para a “nata” da raça.
Com o
microfone na mão comecei a improvisar, deixando a emoção
daquele momento tomar conta de mim. Pensei em todos os
meus colegas do clube. Tentei imaginar o que eles
gostariam de dizer também. Então agradeci em nome do
Brasil a toda a hospitalidade e atenção dada pelo clube
suíço a nossa presença à festa dos 100 anos. Aproveitei
para agradecer a Suíça por dividir com o mundo um dos
seus tesouros mais valiosos, o Bernese. Tesouro esse que
tem mudado a vida de muitas pessoas no Brasil.
Nitidamente emocionado ofereci umas lembranças ao clube
suíço em nome do CPBB. Foram entregues as camisetas
oficias produzidas especialmente para a especializada
CPBB onde homenageamos os 100 anos do clube suíço como
tema da nossa exposição. Eles simplismente adoraram.
No
domingo, depois de mais uma bateria de julgamentos era
chegada a hora da despedida. No fundo todos lá sabiam
que não seria fácil reunir tantos berneses novamente, de
lugares tão distantes. Muitos presentes tinham feito
esforços gigantescos só para estarem ali, juntando
economias, se deslocando como podiam, só para não perder
a festa. Tive certeza que em todos os lugares do mundo
os apaixonados escutam a mesma coisa: “...mas você vai
até lá só para ver cachorros? Você deve ser louco
mesmo.” SIM!!! SOMOS LOUCOS POR ELES MESMO!!!
Ricardo
Sdei
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